Fuzis

By João da Cruz e Sousa

Abram-se as urnas de prata

Das alegrias sonoras,

Lampejantes como auroras

Do azul rolando em cascata.

Estalem as gargalhadas

Joviais e cristalinas,

Na forte explosão das minas,

No retinir das espadas.

Batam asas os sorrisos

Convulsos, doudos, frementes,

Nervosos como serpentes,

Tilintantes como guisos.

Vibre forte e vibre ao largo

A retumbante fanfarra

Da fantástica algazarra

Que quebra os tons do letargo.

Afora a noite — e um bom dia

De ruidosos prazeres,

Alague todos os seres,

Em turbilhões de harmonia.

Rompa — ardente como a bala

Dos canhões vermelhos, rompa

Em ressonância de trompa,

Entre jogos de bengala

A legião cintilante

Dos vigorosos rapazes,

Alegres, vivos, audazes,

Num resplendor deslumbrante.

É soltar, a toda a força,

Os nervos da hilariedade,

Para que esplenda a igualdade,

Para que o mal se contorça;

Indo enchendo, indo insuflando

De vida os pulmões da verve,

Enquanto um bom sangue ferve

Na sociedade, radiando.

Que as alegrias floridas,

São como um grito de Alerta,

Jorrando em noss’alma aberta

Deslumbramento de vidas.

Acima pelo ar, acima

Os pavilhões multicores,

Como dilúvios de flores,

Como coriscos de rima.

Embriagai as esferas

com harmonias ignotas,

De forma que as próprias notas,

Lembrem céus de primaveras.

É rir, é rir — entre a pura

Alacridade de Momo;

É rir, é rir — assim como

Quem ri ao sol que fulgura.

Palpite fibra por fibra,

Como vagas, como mares,

Na curva eterna dos ares

O entusiasmo que vibra.

E o Carnaval, irradiando

Na florescência das rosas,

Salte em pompas luminosas,

Vibrando, cantando, rindo!