GALANTEIA O POETA SEGUNDA VEZ A ESTA MESMA ANNICA COM ESTE ROMANCE.
Querem matar-me os teus olhos,
Anica, e sinto somente,
que se hão de ver-me, e matar-me,
que me matem com não ver-me.
Já que o não ver-te me mata,
deixa morrer-me de ver-te,
porque o morrer a teus olhos
dá gosto, ao que se padece.
Se a morte minha há de ser,
tu por que o achaque eleges?
de não ver-te qués, que eu morra,
de ver-te por que não queres?
Se virás como me morro,
morrera eu assim contente,
vendo-me morto por ti,
e a ti sem asco de ver-me.
Dos mais te guarda, e não vivam,
eu morra de ver-te sempre,
porque tão gloriosa morte
quero para mim somente.
Já que Deus te deu bom rosto,
Anica ingrata, aparece,
muda antes de parecer,
do que não de aparecer-me.
Pelos teus olhos te peço,
que este romance contemples,
que inda farás nisso menos,
do que eu fizera por eles.
Não Anica, te escondas,
aparece sempre,
que o ser bem parecida
disso depende.