GALANTEIA O POETA SEGUNDA VEZ A ESTA MESMA ANNICA COM ESTE ROMANCE.

By Gregório de Matos Guerra

Querem matar-me os teus olhos,

Anica, e sinto somente,

que se hão de ver-me, e matar-me,

que me matem com não ver-me.

Já que o não ver-te me mata,

deixa morrer-me de ver-te,

porque o morrer a teus olhos

dá gosto, ao que se padece.

Se a morte minha há de ser,

tu por que o achaque eleges?

de não ver-te qués, que eu morra,

de ver-te por que não queres?

Se virás como me morro,

morrera eu assim contente,

vendo-me morto por ti,

e a ti sem asco de ver-me.

Dos mais te guarda, e não vivam,

eu morra de ver-te sempre,

porque tão gloriosa morte

quero para mim somente.

Já que Deus te deu bom rosto,

Anica ingrata, aparece,

muda antes de parecer,

do que não de aparecer-me.

Pelos teus olhos te peço,

que este romance contemples,

que inda farás nisso menos,

do que eu fizera por eles.

Não Anica, te escondas,

aparece sempre,

que o ser bem parecida

disso depende.