GALATÉIA

By Cláudio Manuel da Costa

Galatéia adorada,

Mais cândida e mais bela,

Que a neve congelada,

Que a clara luz da matutina estrela;

Mais, do que o Sol, formosa;

Não digo lírio já, não digo rosa.

Ácis idolatrado,

Pastor mais peregrino,

Que quanto ostenta o prado,

Quanto banha d’Aurora o humor divino;

Pois junto às tuas cores

Não tem o prado cor, não têm as flores.

Ácis é, quem saudoso

Corre desta ribeira

Todo o campo espaçoso,

Buscando, ó bela Ninfa, a lisonjeira,

Doce vista, que tanto

De Amor ateia o suspirado encanto.

Desde o azul império,

Que rege o áureo Tridente,

Por todo este hemisfério,

Galatéia te busca impaciente;

E amante nos seus braços

Te prepara de amor gostosos laços.

Vem ouvir-me um instante;

Que em mim tudo é ternura.

Do bárbaro Gigante

Não temas, não a pálida figura:

Que o tem seu triste fado,

Tanto como infeliz, desenganado.

Vem, ó Ninfa ditosa,

Vem, vem;

Que em ti Amor guarda

Todo o meu bem.

Oh! Firam teus ouvidos

Meus saudosos clamores;

Mereçam meus gemidos

Mover a sem-razão dos teus rigores;

Já que tão docemente

Sempre ao meu coração estás presente.

Vem, ó Pastor querido,

Vem, vem;

Que em ti Amor guarda

Todo o meu bem.