GALATÉIA

By Gustavo de Paula Teixeira

Do bloco de Carrara, alvo e sem jaça, a arranco

A golpes de cinzel! Ei-la de pé — perna

Sustendo o torso grego, a mão no seio branco —

Como Vênus pompeando a formosura eterna!

Em meus lábios fulgura um claro riso franco!

Dei à estátua com o sangue a vida sempiterna,

E serpentinamente a cingem, flanco a flanco,

Flóreas veias azuis como uma sombra interna.

Na pupila uma flama, áurea e vivaz, palpita...

Presa a um raio de luz, a minh’alma gravita

Na divina atração do mármore perfeito!

Estático me ajoelho: e, súbito, num choro,

A Galatéia acorda, e o amor, que lhe infla o peito,

Pelos olhos rebenta em catadupas de ouro!