Garça branca

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Foi mesmo aqui. E o mar, como neste momento,

Lembrava a quietação esplêndida de um lago,

Sem um leve queixume, um suspiro, um lamento,

Manso como se fosse o coração de um mago.

Maio chegara. O céu era um florescimento!

Que rosais de cristal na estrada de Santiago!

Que divino luar e que deslumbramento!

Que lembranças de amor eu dessa noite trago!...

Nós dois, eu e mais tu, pela praia sozinhos...

Nisso uma garça branca abre o voo de arminhos,

E atravessa do luar a fluídica escumilha.

Estremece-te o peito e o meu peito estremece...

— Maria, nesse azul que, em maio, assim floresce,

Será garça também a alma de nossa filha?