Garça branca
Foi mesmo aqui. E o mar, como neste momento,
Lembrava a quietação esplêndida de um lago,
Sem um leve queixume, um suspiro, um lamento,
Manso como se fosse o coração de um mago.
Maio chegara. O céu era um florescimento!
Que rosais de cristal na estrada de Santiago!
Que divino luar e que deslumbramento!
Que lembranças de amor eu dessa noite trago!...
Nós dois, eu e mais tu, pela praia sozinhos...
Nisso uma garça branca abre o voo de arminhos,
E atravessa do luar a fluídica escumilha.
Estremece-te o peito e o meu peito estremece...
— Maria, nesse azul que, em maio, assim floresce,
Será garça também a alma de nossa filha?