Gata Borralheira

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Abrem-se as rosas, quando vens chegando;

E as açucenas tornam-se celestiais...

Pelas ramadas, pássaros trinando,

Soltam rimas de guizo, em madrigais.

À luz doce do sol, que vai poeirando

De ouro e prata a esmeralda dos matais,

Corre um perfume acariciante e brando,

Como o de um vinho em ânforas reais.

Tudo se prende à vida, nesse instante,

No afã de te render homenagem.

Religiosamente verdadeira.

E eu, que te espero, sou o rei triunfante,

Alucinado pela tua imagem,

Ó misteriosa Gata Borralheira!