Giulietta Dionesi

By João da Cruz e Sousa

Ah! Giulietta! Os sons do teu violino

Choram, suspiram, rugem como o leão

Lembram sonoro rio cristalino

E tem soluços como um coração.

Ó da harmonia divinal sereia!

Rosas e estrelas e canções de ninhos

Nas cordas do violino que gorjeia

Passam cantando como os passarinhos.

Não sei que estranho espírito sereno

Para a harmonia essa alma te inspirou

Que dentro dum violino tão pequeno

A música do espaço concentrou!

Ah! peregrina do país do sonho

Flor luminosa de região sonora,

No teu suave coração risonho

Vibram triunfantes os clarins da aurora.

Tudo dentro de ti gorjeia e trina,

Como trina e gorjeia o rouxinol

Nas paisagens silvestres da campina,

Aos esplendores siderais do sol.

Quem não há de chorar e rir não há de

De amor, de saudade e de esperança,

De assombro, vendo que na tenra idade

Já és tão grande, sendo uma criança?!

Os astros do cerúleo firmamento,

As meigas flores, o infinito mar

Que digam como tu nesse instrumento

Sabes sorrir e sabes soluçar...

Domadora feliz do som profundo,

Deusa imortal de ignotas harmonias,

Vai triunfar nas vastidões do mundo,

Da glória nas eternas sinfonias.