GLORIA IN EXCELSIS DEO

By Delminda Silveira de Sousa

Meia-noite! lá distante

soam trombetas romanas...

um galo canta vibrante

além, além das choupanas.

A Natureza desperta

em cantos, aromas, luz!

Como num brado de “alerta!”

dizendo: — nasceu Jesus!

E descem anjos cantando

Glória a Deus e paz à terra —

e os ecos voam levando

o canto que a nova encerra.

Por entre as choças do val

soava doce harmonia...

uma ilusão, um ideal,

pensa o pastor: — que seria?...

Um sonho?... Não! que, despertos

já todos caminham além;

d’alto mistério vão certos,

vendo a luz que dos Céus vem.

Um anjo formoso desce,

vestido de branco e luz;

e como o assombro lhes cresce,

diz-lhes: — paz! Nasceu Jesus!

E todos, todos seguiam

glória a Jesus! repetindo.

Já do presépio se ouviam

hinos celestes, infindos.

A Virgem Maria junto aos seios

o divo Filho aquecia;

agora não tem receios...

entre anjos, que os teria?...

Jesus sereno adormece.

Ela o deita, docemente

sobre o feno que parece

um feixe d’oiro esplendente!

Depois... um beijo divino,

beijo de Mãe toda amor,

na fronte do Deus-Menino

imprime com enlevo e ardor.

Jesus sorriu; — uma estrela

lá no Oriente assomou;

era a estrela d’alva: — aquela

que um sorrir de Deus criou!

Quem sabe?... a mesma seria

que, após, co’a celeste luz

serviu aos magos de guia

até o berço de Jesus!

Oh! Santo fanal da Fé!

Noss’alma guia também

por esses vales, até

a Sede do Sumo Bem!