Grãos de trigo

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Foste tu mesma que a prisão fizeste

Para o teu corpo fluídico habitar...

E agora queres para o azul celeste,

Rufiando as asas, célere, voar...

E quando à vida terreal vieste,

Por acaso estarias a sonhar?

E o que do espaço olímpico trouxeste?

E amaste como a gente deve amar?

Prendeste as asas à prisão sombria

Da carne, e queres ter toda a alegria

De uma ave solta à luz da madrugada!

Mas não queiras voar, dessa maneira,

Porque, jamais! na hora derradeira,

Grãos de trigo terás para a jornada.