Harpas eternas

By João da Cruz e Sousa

Hordas de Anjos titânicos e altivos,

Serenos, colossais, flamipotentes,

De grandes asas vívidas, frementes,

De formas e de aspectos expressivos.

Passam, nos sóis da Glória redivivos,

Vibrando as de ouro e de Marfim dolentes,

Finas harpas celestes, refulgentes,

Da luz nos altos resplendores vivos

E as harpas enchem todo o imenso espaço

De um cântico pagão, lascivo, lasso,

Original, pecaminoso e brando...

E fica no ar, eterna, perpetuada

A lânguida harmonia delicada

Das harpas, todo o espaço avassalando.