HEI DE AMAR-TE ATÉ A MORTE, QUER TU ME QUEIRAS, QUER NÃO; SEREI NO AMOR DESGRAÇA...
Não fujo, podes rasgar
Este peito desgraçado;
Que o teu gesto retratado
Hás de, cruel, n’ele achar.
Posto que veja roubar
À Parca a tesoura forte,
E dar-me na vida corte,
Inda ouvirás, que te digo:
“Ingrata, não me desdigo,
Hei de amar-te até a morte.”
Vem, amor, autorizar
O sagrado juramento
De até ao final alento
Firmemente te adorar.
De joelhos, no altar
Co’a devida submissão
Resoluto ponho a mão;
Juro nas setas tremendas
De te amar, quer tu me ofendas,
Quer tu me queiras, quer não.
Amor co’as mãos apressadas
Ergue dos olhos a venda,
E pasma da jura horrenda.
Que assusta as aias sagradas.
“Eis as correntes pesadas.
Que te esperam, “diz irado.
Eu as aceito humilhado,
“Não, ó deus, não esmoreço
C’os ferros, posto conheço
Serei no amor desgraçado.”
A liberdade ultrajada
Lança-me a revés a vista;
Risca-me da honrada lista,
E chama-me escravo irada.
Não crimines indignada
Esta nobre sujeição.
Arrasto o férreo grilhão;
Mas por quem? Por Nize bela.
Ah! sim te deixo por ela;
Mas com discreta eleição.