HOMÚNCULO

By José Joaquim Correia de Almeida

Certo importuno,

loquaz pigmeu,

é na estatura

meio Zaqueu.

É tudo curto

naquele anão,

curtos dedinhos

em cada mão.

De polegada

talvez não é

o comprimento

de cada pé.

Se lhe tosquiam

bem rente a lã,

finge a cabeça

uma avelã.

É perereca

na voz ruim,

e é nos trejeitos

como o saguim.

Usa quartola

este neném,

trazendo a carga

como a quem-quem.

Muitos conheço

de corpo anões,

que não têm n’alma

nenhuns senões.

Se eles são regra,

seja exceção

este contraste

do homenzarrão.

Por ter corpinho,

não é que é mau;

cavalo grande,

besta de pau.

Mas é de alminha

tal este herói

que das desgraças

não se condói.

Este homem zero

tem coração?

Quem o auscultasse

diria: não.

Inteligência

ele não tem,

e, se o duvidam,

a prova aí vem:

Quanto ao presente

nada nos diz,

e, noves fora,

dispensa o giz

Suas ideias

quanto ao porvir

são parvoíces

que fazem rir.

Suas lembranças,

quanto ao que foi,

parecem palhas

que engole o boi.

A homeopatia,

que os nadas vê,

colha este argueiro,

valor lhe dê.

Globulozinho

menor não há

do que o pequeno

Gil Vaz de Sá.