Horas de sombra

By João da Cruz e Sousa

Horas de sombra, de silêncio amigo

Quando há em tudo o encanto da humildade

E que o anjo branco e belo da saudade

Roga por nós o seu perfil antigo.

Horas que o coração não vê perigo

De gozar, de sentir com liberdade...

Horas da asa imortal da Eternidade

Aberta sobre tumular jazigo.

Horas da compaixão e da clemência,

Dos segredos sagrados da existência,

De sombras de perdão sempre benditas.

Horas fecundas, de mistério casto,

Quando dos céus desce, profundo e vasto,

O repouso das almas infinitas.