HORAS NEGRAS

By Gustavo de Paula Teixeira

Noite. Na escuridão soturna do meu quarto,

Penso em ti, meu amor! Lá fora, o furacão

Urra como um ciclope e açoita o cedro que, harto

E farfalhante, agita a copa na amplidão.

Sem ilusões, da vida há muitos anos farto,

Sinto que mais me pesa agora o coração!

Cheio de angústia, à porta a fronte quase parto

Quando estoura no espaço a bomba de um trovão.

Contra a janela, em fúria, investe a ventania

Bramindo como um leão nas vascas da agonia,

Raios batem-se em duelo... Ouço lamentos... ais...

Que noite fria!... E eu só, chorando num delírio

Por esse corpo em flor, mais branco do que um lírio,

Que não apertarei nos braços nunca mais!