Hóstias

By João da Cruz e Sousa

Nos arminhos das nuvens do infinito

Vamos noivar por entre os esplendores,

Como aves soltas em vergéis de flores,

Ou penitentes de um estranho rito.

Que seja nosso amor — sidério mito! —

O límpido turíbulo das dores,

Derramando o incenso dos amores

Por sobre o humano coração aflito.

Como num templo, numa clara igreja,

Que o sonho nupcial gozado seja,

Que eu durma e sonhe nos teus níveos flancos.

Contigo aos astros fúlgidos alado,

Que sejam hóstias para o meu noivado

As flores virgens dos teus seios brancos!