I - 3 de Maio

By Delminda Silveira de Sousa

Partem as naus, as proas altaneiras

Rasgando em flor d’espumas o Oceano;

Das velas enfunando o branco pano

Marinhas auras sopram mui fagueiras.

Súbito, as fundas águas traiçoeiras

Erguem o dorso; e num clamor insano,

Rugem as vagas ao furor tirano

Das infernais lufadas desordeiras.

Volta a bonança alfim: no ar suaves

Perfumes vagam; cruzam lindas aves;

Um verde tronco pelas ondas erra...

Todos, à proa, fitam o horizonte:

Lá, se divisa o cimo d’alto monte...

E a voz do gajeiro brada: — terra!