I. MONTEIRO

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Esta é a irmã da alvorada, é a deusa grega

Que, motivando esplêndidos assombros,

De pé, sorrindo, a cabeleira aos ombros,

No áureo coche imperial da estrofe chega.

Vem fugida dos céus!... E à forte e nédia

Quadriga que de lá, da empírea altura,

Rápida a trouxe à terra, ainda segura

Com as sacras mãos pulquérrimas a rédea!

Vede-a: — os olhos ascendem-nos desejos,

A boca é um cálice de flor macia,

— Um fruto de coral que desafia

Os pássaros quirópteros dos beijos.

Ah! quando assoma o seu perfil bizarro,

Na conquista de todos os sentidos,

—Rolam-lhe aos pés os corações feridos,

Ensanguentando as rodas do seu carro!