I
Veladamente o sol vestiu todo o sudário
De quem vai para a sombra esguia dos ciprestes...
E sobe da planície, aos espaços celestes,
O réquiem de um velho e triste campanário.
Desce, saudoso o sol, antes extraordinário
De luxúrias de luz; mas, agora, com vestes
Roxas de monge; e mãos por sobre o peito, prestes
A se esconder, além, num campo solitário.
E descerá, assim, (Caminheiro do Mundo),
Por um ocaso triste, em silêncio profundo,
A uma cova gelada, um coração vencido...
Mas, no afago, no enleio e na calma da noite,
Durma tranquilamente e entre sonhos acoite
A crença de se ver, mais tarde, ressurgido.