I

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Veladamente o sol vestiu todo o sudário

De quem vai para a sombra esguia dos ciprestes...

E sobe da planície, aos espaços celestes,

O réquiem de um velho e triste campanário.

Desce, saudoso o sol, antes extraordinário

De luxúrias de luz; mas, agora, com vestes

Roxas de monge; e mãos por sobre o peito, prestes

A se esconder, além, num campo solitário.

E descerá, assim, (Caminheiro do Mundo),

Por um ocaso triste, em silêncio profundo,

A uma cova gelada, um coração vencido...

Mas, no afago, no enleio e na calma da noite,

Durma tranquilamente e entre sonhos acoite

A crença de se ver, mais tarde, ressurgido.