Ideal comum

By João da Cruz e Sousa

Dos cheirosos, silvestres ananases

De casca rubra e polpa acidulosa,

Tens na carne fremente, voluptuosa,

Os aromas recônditos, vivazes.

Lembras lírios, papoulas e lilases;

A tua boca exala a trevo e a rosa,

Resplande essa cabeça primorosa

E o dia e a noite nos teus olhos trazes.

Astros, jardins, relâmpagos e luares

Inundam-te os fantásticos cismares,

Cheios de amor e estranhos calafrios;

E teus seios, olímpicos, morenos,

Propinando-me trágicos venenos,

São como em brumas, solitários rios.