IDENTIDADE

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

Dous irmãos eu nunca vi

Que se parecessem tanto

Como o Juca Bem-te-vi,

E o Pedro Pereira Canto

Cousa fora do comum!

Não eram dous, eram bis,

A cara de qualquer um

Era... como o povo diz...

Ao vê-los juntos, o povo

Exclamava: — “não distingo:

São como um ovo e outro ovo

Ou d’água um pingo e outro pingo.”

Até dizem que o Pereira

Teve disso a melhor prova,

Num dia de bebedeira

Levando uma grande sova,

Que vinha p’ra o Bem-te-vi;

Mas, de facto, a parecença

Era tal, que eu conto aqui

Um caso de graça imensa:

Uma vez, num dia santo,

Por não ter o que fazer,

Voltando p’ra casa, o Canto

Dá com o Juca com a mulher.

— “Bem-te-vi!” Ela “Meu bem!”

Juca a linha não perdeu:

— “Que é isso, repare bem,

Diga: qual dos dous sou eu?”

O Canto de boca aberta

Olha-o, olha-se e depois

Vai-se... O pobre não acerta

A saber qual é dos dous.