II O pampa
Pampa é um mundo novo, o Eldorado
Das quimeras de um cérebro beijado
Por colúmbeas visões!...
Tem imensas planícies viridentes,
Límpidos lajeados transparentes,
Inóspitos rincões!
No topo das coxilhas verdejantes,
Os pinheiros atléticos, gigantes,
Vigorosos e nus,
Abrem os braços — distendendo os galhos,
Talvez pedindo às noites mais orvalhos...
Aos dias menos luz!...
São eles as perdidas sentinelas,
Que anunciam a vinda das procelas,
À vanguarda dos céus...
Como mastros de naus bem arvoradas,
Resistem dos pampeiros às rajadas,
Em plenos escarcéus!...
N’aqueles solitários descampados,
Outr’ora os índios fortes, bronzeados,
— Os indígenas nus —
Envergavam os arcos, disparando
As setas, que voavam, sibilando,
Nas vastidões azuis...
E as caboclas, morenas e lascivos,
Ao pôr do sol ficavam pensativas,
Choravam sem querer...
Talvez lembrando os juvenis guerreiros
Que — a ficar noutras tabas prisioneiros —
Preferiram morrer!...
Foi aqui que os FARRAPOS invencíveis
Escreveram poemas indizíveis,
Que traduzir não sei...
Quando de Trinta e Cinco os lutadores
Tentaram esmagar uns vis senhores...
E um despótico rei!...
Nunca viste um Gaúcho soberano,
Mais rápido que o vento minuano,
O régio vendaval?...
Ele transpõe coxilhas e canhadas,
Solto o pala dos ventos às rajadas...
No dorso do bagual!...
Vou descrever os usos e costumes
Dos meus pagos natais, sem ter ciúmes
Das outras regiões...
O Pampa é um mundo novo, o Eldorado
Das quimeras de um cérebro beijado
Por colúmbeas visões!