II O pampa

By Múcio Scevola Lopes Teixeira

Pampa é um mundo novo, o Eldorado

Das quimeras de um cérebro beijado

Por colúmbeas visões!...

Tem imensas planícies viridentes,

Límpidos lajeados transparentes,

Inóspitos rincões!

No topo das coxilhas verdejantes,

Os pinheiros atléticos, gigantes,

Vigorosos e nus,

Abrem os braços — distendendo os galhos,

Talvez pedindo às noites mais orvalhos...

Aos dias menos luz!...

São eles as perdidas sentinelas,

Que anunciam a vinda das procelas,

À vanguarda dos céus...

Como mastros de naus bem arvoradas,

Resistem dos pampeiros às rajadas,

Em plenos escarcéus!...

N’aqueles solitários descampados,

Outr’ora os índios fortes, bronzeados,

— Os indígenas nus —

Envergavam os arcos, disparando

As setas, que voavam, sibilando,

Nas vastidões azuis...

E as caboclas, morenas e lascivos,

Ao pôr do sol ficavam pensativas,

Choravam sem querer...

Talvez lembrando os juvenis guerreiros

Que — a ficar noutras tabas prisioneiros —

Preferiram morrer!...

Foi aqui que os FARRAPOS invencíveis

Escreveram poemas indizíveis,

Que traduzir não sei...

Quando de Trinta e Cinco os lutadores

Tentaram esmagar uns vis senhores...

E um despótico rei!...

Nunca viste um Gaúcho soberano,

Mais rápido que o vento minuano,

O régio vendaval?...

Ele transpõe coxilhas e canhadas,

Solto o pala dos ventos às rajadas...

No dorso do bagual!...

Vou descrever os usos e costumes

Dos meus pagos natais, sem ter ciúmes

Das outras regiões...

O Pampa é um mundo novo, o Eldorado

Das quimeras de um cérebro beijado

Por colúmbeas visões!