II - Tiradentes

By Delminda Silveira de Sousa

Que tristes ecos doridos

Fazem a Pátria chorar!

Goivos e louros unidos

Vejo-a em coroas enlaçar!

Ali — um túmulo erguido...

Um nome, — um nome esculpido

Em letras d’ ouro, fulgura:

Tiradentes! — diz o vento

Beijando saudoso, lento,

Do cipreste a rama escura.

Tiradentes! — Quem foi esse,

Cujo nome traz saudade?

Cuja glória resplandece

Como o sol na imensidade!

— Foi um herói brasileiro,

E foi o mártir primeiro

Que à Liberdade esposou!

Foi uma Luz... uma ideia...

Mais que uma grande epopeia

Seu nome à Pátria legou!

Foi o sonhador augusto

D’uma sublime ventura;

D’um ideal nobre e justo,

Morreu, na fé santa e pura!

Morreu! — mas, vencendo a morte,

Desse ideal grande e forte

Um gérmen santo deixou:

E um dia, após, gloriosa,

Da Liberdade formosa

A verde planta brotou.

Cresceu... Cresceu opulenta,

Bela árvore florida

Que agora nos apresenta

Frutos mil de glória e vida!

E o nome do Tiradentes,

Entre brilhos resplendentes,

Da Pátria lembrado é

Nas áureas laudas da História,

Como uma brilhante glória,

Como um exemplo de fé!

Ante o herói da Liberdade,

Ante esse mártir bendito,

Curve-se a posteridade,

Subam cantos ao Infinito!

Inteiro o mundo o proclame,

E cada peito o aclame,

Em pátrios hinos ferventes,

Que nesta data grandiosa

Celebra a Pátria saudosa

A glória do Tiradentes!