III

By Antônio Gonçalves Dias

Em larga roda de novéis guerreiros

Ledo caminha o festival Timbira,

A quem do sacrifício cabe as honras,

Na fronte o canitar sacode em ondas,

O enduape na cinta se embalança,

Na destra mão sopesa a iverapeme,

Orgulhoso e pujante. — Ao menor passo

Colar d’alvo marfim, insígnia d’honra,

Que lhe orna o colo e o peito, ruge e freme,

Como que por feitiço não sabido

Encantadas ali as almas grandes

Dos vencidos Tapuias, inda chorem

Serem glória e brasão d’imigos feros.

“Eis-me aqui”, diz ao índio prisioneiro;

“Pois que fraco, e sem tribo, e sem família,

“As nossas matas devassaste ousado,

“Morrerás morte vil da mão de um forte.”

Vem a terreiro o mísero contrário;

Do colo à cinta a muçurana desce:

“Dize-nos quem és, teus feitos canta,

“Ou se mais te apraz, defende-te.” Começa

O índio, que ao redor derrama os olhos,

Com triste voz que os ânimos comove.