III Crepúsculo matinal

By Múcio Scevola Lopes Teixeira

Quando a luz d’alva desata

Rubras fitas pelo azul,

Chora lágrimas de prata

O firmamento do Sul!

Os pingos d’água, trementes,

Caindo sobre as canhadas,

— Essas pérolas algentes

Do colar das madrugadas...

Os frios globos de orvalhos,

Como uns rosários de luz,

Das folhas descem p’ra os galhos...

Dos galhos p’ra os troncos nus!...

E brilham, de manhã cedo,

No verde manto dos campos,

Como om sombrio arvoredo

Cardumes de pirilampos...

Saem as aves dos ninhos,

Saem as sombras do val;

— Na orgia dos passarinhos

Rompe a orquestra matinal!

Nos rincões ou nas quebradas

As feras buscam abrigo...

Como tropas debandadas

Por exército inimigo!

E o sol, — eterno vaidoso —

Abre as janelas do ar...

E vai mirar-se garboso

Na superfície do mar!