III
Sim, há de ressurgir, feito da mesma lama,
Feito do mesmo pó, dessa eterna argamassa
Da qual tudo se faz e na vida se inflama,
Ora no tédio amargo, ora na luz da graça.
Ressurgirá num lírio aberto ou numa chama;
Num divino clarão; ou no verme que passa,
Oculto, a rastejar no veludo da grama
Da sepultura e sobe e aos ciprestes se abraça.
Ou será borboleta em chamalotes de ouro,
Ou ave cantadeira; ou rútilo besouro;
Ou poeira de cristal, para qualquer efeito.
Mas, depois disso tudo, há de ser o que fora
Nos segredos do amor e na dor rugidora...
— Há de ser coração, para pulsar num peito.