III

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Sim, há de ressurgir, feito da mesma lama,

Feito do mesmo pó, dessa eterna argamassa

Da qual tudo se faz e na vida se inflama,

Ora no tédio amargo, ora na luz da graça.

Ressurgirá num lírio aberto ou numa chama;

Num divino clarão; ou no verme que passa,

Oculto, a rastejar no veludo da grama

Da sepultura e sobe e aos ciprestes se abraça.

Ou será borboleta em chamalotes de ouro,

Ou ave cantadeira; ou rútilo besouro;

Ou poeira de cristal, para qualquer efeito.

Mas, depois disso tudo, há de ser o que fora

Nos segredos do amor e na dor rugidora...

— Há de ser coração, para pulsar num peito.