Ilusões mortas

By João da Cruz e Sousa

Os meus amores vão-se mar em fora,

E vão-se mar em fora os meus amores,

A murchar, a murchar, como essas flores

Sem mais orvalho e a doce luz da aurora.

E os meus amores não virão agora,

Não baterão as asas multicores,

Como as aves mansas — dentre os esplendores

Do meu prazer, do meu prazer de outrora.

Tudo emigrou, rasgando a esfera branca

Das ilusões, — tudo em revoada franca

Partiu — deixando um bem-estar saudoso

No fundo ideal de toda a minha vida,

Qual numa taça a gota indefinida

De um bom licor antigo e saboroso.