IMORTAL
Na gelada necrópole do Olvido,
Onde jazem aquelas que adorei,
Quis sepultar o arcanjo estremecido
Que tanta vez nos braços apertei!
Dentro de uma sombria sepultura,
Amortalhada num espúmeo véu,
Coloquei-a calcando a terra dura
Sobre o pequeno esquife cor do céu.
Mas — oh! destino infando! — nesse instante,
Sacudindo a mortalha no caixão,
Como a filha de Jairo, deslumbrante
Ela se ergueu envolta num clarão!...
Debalde heroico, o choro da alma ouvindo,
Enterro-a e digo: — “Até que enfim, Senhor!”
Ela abandona o túmulo, sorrindo,
Ressuscitada pelo meu amor!