IMORTAL

By Gustavo de Paula Teixeira

Na gelada necrópole do Olvido,

Onde jazem aquelas que adorei,

Quis sepultar o arcanjo estremecido

Que tanta vez nos braços apertei!

Dentro de uma sombria sepultura,

Amortalhada num espúmeo véu,

Coloquei-a calcando a terra dura

Sobre o pequeno esquife cor do céu.

Mas — oh! destino infando! — nesse instante,

Sacudindo a mortalha no caixão,

Como a filha de Jairo, deslumbrante

Ela se ergueu envolta num clarão!...

Debalde heroico, o choro da alma ouvindo,

Enterro-a e digo: — “Até que enfim, Senhor!”

Ela abandona o túmulo, sorrindo,

Ressuscitada pelo meu amor!