Impassível

By João da Cruz e Sousa

Teu coração de mármore não ama

Nem um dia sequer, nem um só dia.

Essa inclemente natureza fria

Jamais na luz dos astros se derrama.

Mares e céus, a imensidade clama

Por esse olhar d’estrelas e harmonia,

Sem uma névoa de melancolia,

Do amor nas pompas e na vida chama.

A Imensidade nunca mais quer vê-lo,

Indiferente às comoções, de gelo

Ao mar, ao sol, aos roseirais de aromas.

Ama com o teu olhar, que a tudo encantas,

Ou se antes de pedra, como as santas,

Mudas e tristes dentro das redomas.