Impressionada

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Eia não quis ficar na casa onde morava,

Nessa casa que o estio enfeitava de flores,

Para não ver o mar que apenas lhe ofertava

Nostalgias cruéis, e lágrimas e dores...

Olhando a praia branca, ah! só nela encontrava

À luz flava do sol e aos fluídicos palores

Da lua, uma tristeza atroz, que a dominava

E dominava a flor dos seus lindos amores.

Como ficar ali, nessa casa isolada,

Se a sua alma não era a mesma, iluminada

Como dantes, ao tempo em que, nesse lugar,

Não existia a cruz tristíssima e sombria,

Que lhe marcava, agora, a cova onde dormia

O sono eterno, o seu amor, junto do mar?