Incautos desejos

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Foram-se à pescaria os barcos da enseada,

Do vento brando sob as asas invisíveis...

E, agora, é agitação funesta, desenfreada,

O mar! O vento e o mar são dois seres terríveis!

Mas, nos barcos que vão, às vezes, na calada

Das tardes, para o largo, há peitos insensíveis,

Que não creem que o mar lhes teça, na lestada,

Depois, uma mortalha e túmulos horríveis!

E a tempestade veio, ululando, ululando...

E quem diria, ó céus? Quantos barcos voltando,

E quantos, no costão, de chofre, naufragados!

Assim são, de minha alma, os incautos desejos:

Vivem sob a ilusão dos sonhos benfazejos,

Mas vivem muito mais contra a dor atirados!