INCLINAVA-SE BRITES A HUM SUGEYTO DE MAIS ESPERANÇAS, QUE MERITOS, E EM SUA COMP...
Dizem, por esta comarca,
Brites, que, a quem vos conquista,
matais da primeira vista
por ter olhos mais da marca.
Eu o quis ir a dizer
à justiça, mas de inveja
me há de mandar, que vos veja
para acabar de morrer.
Eu me vejo, e me desejo
com penas, que me causais,
se me vedes, me matais,
e morro, se vos não vejo.
Dai remédio à minha flama,
mais que seja com matar-me:
porque se eu quis namorar-me,
só a morte cura, a quem ama.
Procuro o vosso favor,
mas não lhe acerto o caminho,
porque me dana o carinho,
e não me aproveita amor.
Tudo consiste em ventura,
que eu conheço algum talento
com menos merecimento,
porém com dita segura.
Mas espero todavia
merecer o vosso agrado,
que é suspeitoso cuidado,
o que de si desconfia.
Da vossa benevolência
tudo os meus desejos fiam,
que sempre amor entibiam
faltas de correspondência.
Faço por ver meu emprego
cada dia, e toda a vida
estais adrede escondida,
não vejo, a quem me faz cego.
Vejo casa tão-somente,
porque achais, que é justo, que
quem a pérola não vê,
vendo a concha se contente.
Não val convosco a fineza,
não val convosco a verdade,
não sei, como vos agrade,
não sei, como vos mereça.
Amor, que tem compaixão,
de quem aflige um cuidado,
ou vos arranque o agrado,
ou vos mude a condição.