Infinito mudo
Quando te sentes loucamente aflito,
Pelas urzes da dor atormentado,
Tremes, por que te lembras do infinito
No qual te vês de todo abandonado.
Quando te julgas só como um proscrito,
De olhar à luz santíssima vedado,
Sentes no coração o inferno escrito,
E aos pés o inferno; e o inferno lado a lado,
Quando, vertendo lágrimas, soluças,
E ao chão convulsamente te debruças,
Nesse areal de todas as torturas,
Perdes até a crença, a fé, e tudo,
Porque o Infinito te parece mudo
Ás infindáveis ânsias das criaturas.