Infinito mudo

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quando te sentes loucamente aflito,

Pelas urzes da dor atormentado,

Tremes, por que te lembras do infinito

No qual te vês de todo abandonado.

Quando te julgas só como um proscrito,

De olhar à luz santíssima vedado,

Sentes no coração o inferno escrito,

E aos pés o inferno; e o inferno lado a lado,

Quando, vertendo lágrimas, soluças,

E ao chão convulsamente te debruças,

Nesse areal de todas as torturas,

Perdes até a crença, a fé, e tudo,

Porque o Infinito te parece mudo

Ás infindáveis ânsias das criaturas.