INFLUXO BENDITO

By Delminda Silveira de Sousa

Um dia, quando as lizes da inocência

cingiam ainda minha fronte pura,

no aconchego da dúlcida ventura

do anjo bom, — meu guia na existência,

— “minha mãe, eu lhe disse na cadência

desta frase tão cheia de ternura:

— eu sonhei que a uma pobre criatura

dera o meu pão, pensara-lhe a indigência”.

Então ela, beijando-me e sorrindo,

como cercada dum reflexo lindo,

exclama: — Oh, filha cara! — eis a verdade:

— diz-me o teu sonho que a tu’alma é bela;

e que bem viva desabrocha nela

uma flor qu’eu plantei — a Caridade!