INSISTE O POETA A QUERER SER AMADO DE IGNACIA.
Inácia, vós que me vedes
em tal desesperação
remediai-o senão
dareis por essas paredes:
na malha das vossas redes
quis eu minha alma enredar
por vos servir, e adorar:
mas vós, sem que Amor me valha,
mesmo me rompeis a malha,
a fim de me não pescar.
Não vos rende o meu carinho,
porque em vossa estimação
sou já peixe sabichão,
e vós me quereis peixinho:
se com todo o meu alinho
vos não mereço o favor,
que importa o vosso rigor,
se se sabe, e vós o vedes,
que quero nessas Paredes
fundar um templo de Amor.
Quando as paredes juntemos
a vossa, que é frontal,
co’a minha de pedra e cal,
uma grande obra faremos:
a Amor a dedicaremos,
porque guarde as vossas redes,
que eu creio, e vós bem o vedes,
que tudo irá em rigor
ver as paredes de Amor,
só por amor das Paredes.