INTRODUÇÃO
Ginete, ou magro sendeiro,
Celebérrimo pegaso,
Não me recuses o estribo,
E conduze-me ao Parnaso.
Leva-me à tal Hipocrene,
Que, se não é patarata,
Tu fizeste rebentar
Do rasto de tua pata.
Vou beber inspirações
Nas auras daquele monte;
Inspirações vou beber
Nas águas daquela fonte;
Que o poeta que verseja
Não sendo inspirado assim,
Poeta será talvez,
Mas poeta muito ruim.
De encantadora Marília
Dirceu que narre os amores;
Jacte-se da inveja que
Tinham-lhe os outros pastores.
Outro gênio que memore
Belos primores de cá;
As palmeiras do Brasil,
Onde canta o sabiá.
Distribui a natureza
Dotes por arbítrio seu;
Sentimental meigo, e temo
Nunca o foi o verso meu.
Nega-lhe a suave doçura
O mimoso abacaxi;
Picante sabor empresta-lhe
A pimenta comari.
Nem turíbulo, nem duetos
Aos que dominam a terra;
Nem quartel ao vício torpe,
Guerra, guerra, outra vez, guerra.
Dos louvores da lisonja
Desvio meu pensamento;
Somente ao Deus dos exércitos
Hosana tem cabimento.