Inverno

By João da Cruz e Sousa

Amanheceu — no topo da colina

Um céu de madrepérola se arqueia

Limpo, lavado, reluzindo — ondeia

O perfume da selva esmeraldina.

Uma luz virginal e cristalina,

Como de um rio a transbordante cheia,

Alaga as terras culturais e arreia

De pingos d’ouro os verdes da campina.

Um sol pagão, de um louro gema d’ovo,

Já tão antigo e quase sempre novo

Surge na frígida estação do inverno.

— Chilreiam muito em árvores frondosas

Pássaros — fulge o orvalho pelas rosas

Como o vigor no espírito moderno.