Ironia

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Por que razão o Alfredo é de todo inclemente

Diante dos seus bois, de olhares compassivos,

Se eles lhe são, no carro, os seus fiéis cativos,

Se lhe dão do trigal a pródiga semente?

E não é, desses bois a força permanente

Que lhe traz, da manhã à tarde, os emotivos

Prazeres do conforto, ora à sombra tremente

Dos ramos, ora ao sol de abrasamentos vivos?

O rapaz dá-lhes toda a espécie de torturas.

Fisgando-lhes o dorso, e os faz puxar alturas

Formidáveis de lenha, ou de pedra ou de barro.

Mas como uma ironia às silenciosas dores

Dos pobres animais, na relva, aberta em flores,

Cantam bizarramente as chavetas do carro!