Irradiações

By João da Cruz e Sousa

Qual da amplidão fantástica e serena

À luz vermelha e rútila da aurora

Cai, gota a gota, o orvalho que avigora

A imaculada e cândida açucena.

Como na cruz, da triste Madalena

Aos pés de Cristo, a lágrima sonora

Caia, rolou, qual bálsamo que irrora

A negra mágoa, a indefinida pena...

Caia por vós, esplêndidas crianças

Bando feliz de castas esperanças,

Sonhos da estrela no infinito imersos;

Caia por vós, as músicas formosas,

Como um dilúvio matinal de rosas,

Todo o luar benéfico dos versos!