IV

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Sobre os verdes outeiros, sobre os campos

Meridionais das regiões brasílias,

A noite estende vagarosa e muda

O brando véu de estreitas salpicado.

Bela como a princesa do Levante

Quando ao cair do dia ergue-se fresca

Das marmóreas banheiras de seus paços,

E para em meio dos degraus lustrosos,

Sacudindo da fronte peregrina

Um chuveiro de líquidos brilhantes

Sobre os finos tapetes que a circundam:

Assim das alvas névoas do horizonte

Vem assomando a lua; e triste e bela,

Nas portas do Oriente equilibrada,

Derrama sobre as úmidas campinas

A feiticeira luz. Nas lisas pedras,

Onde murmura trêmula e sentida

A fonte do sertão, brinca e suspira

Alinhando os cabelos perfumados

A tímida mãe d’água, semi-nua,

A náiade das terras de Colombo.

Dormem na selva as aves descuidosas

Do dia de amanhã, que a Providência

Por elas velará; lentas volteiam

As aragens do estio sabre os vales

Da próspera e feliz Piratininga.