IV
Sobre os verdes outeiros, sobre os campos
Meridionais das regiões brasílias,
A noite estende vagarosa e muda
O brando véu de estreitas salpicado.
Bela como a princesa do Levante
Quando ao cair do dia ergue-se fresca
Das marmóreas banheiras de seus paços,
E para em meio dos degraus lustrosos,
Sacudindo da fronte peregrina
Um chuveiro de líquidos brilhantes
Sobre os finos tapetes que a circundam:
Assim das alvas névoas do horizonte
Vem assomando a lua; e triste e bela,
Nas portas do Oriente equilibrada,
Derrama sobre as úmidas campinas
A feiticeira luz. Nas lisas pedras,
Onde murmura trêmula e sentida
A fonte do sertão, brinca e suspira
Alinhando os cabelos perfumados
A tímida mãe d’água, semi-nua,
A náiade das terras de Colombo.
Dormem na selva as aves descuidosas
Do dia de amanhã, que a Providência
Por elas velará; lentas volteiam
As aragens do estio sabre os vales
Da próspera e feliz Piratininga.