IV

By Delminda Silveira de Sousa

Brando luar derrama o alvor de prata

da murta em flor por entre a ramaria;

da noite a viração suave e grata

doces preces de amor além colhia.

Lá, na avenida que o luar prateia,

branca visão errante, suspirosa,

por entre a murta em flor triste vagueia,

a murmurar — um nome —, carinhosa.

“Ah Rogério!... Onde estás? Caminha a noite,

e tu não voltas no luar sereno!

Meu Deus!... desfolha a flor do vento o açoite,

caem orvalhos sobre o prado ameno!”

Ao longe, ao longe uma canção de amores

a brisa envolve dúlcida, saudosa;

e a viração, por entre a murta em flores,

doce nome repete, suspirosa.

“Alda! Alda!... eis-me aqui! Que noite linda!

Que luar! Que perfumes! Que harmonia!...

— Trago-te n’alma o amor que nunca finda,

trago as saudades de um bem longo dia!...”

E plácido luar por entre a murta em flores,

e a brisa a perfumar da noite a amenidade,

ouvem o divinal poema dos amores

no mais gostoso beijo, — o beijo da saudade!