IX

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Detém-se os caminheiros e respiram,

Sobre a relva descansam as mulheres,

E as crianças alegres se espreguiçam;

Está finda a romagem: um velho chefe,

De voz autorizada e grave porte,

Chama os da sua idade e se dirigem

Para o modesto e venerando asilo.

Batem, pronunciando o santo nome,

O nome augusto de Jesus, e logo

Abre-se a estreita porta, e como outrora,

Nos belos tempos em que a fé suprema

Prodígios operava, aos olhos ávidos

Dos filhos das florestas, aparece

Formoso santuário, iluminado

De brancos círios da mais fina cera

Que as abelhas silvestres produziram,

Adornado de flores delicadas

E alfaias preciosas, nunca vistas

Das tribos do deserto. O grato fumo

De odorosas resinas sobe em rolos

Dos braseiros de argila, e pouco e pouco

Cerca o sagrado altar, onde pousada

Aimagem do Senhor, lívida e magra,

Coberta de feridas rubro-ardentes

Pende de negra cruz. — Louvado seja

O Redentor do mundo! — exclamam todos,

Homens, mulheres, velhos e crianças,

Unindo as grossas mãos, baixando as frontes.

— Louvado seja o Redentor do mundo!

Por todas as nações, povos e séculos! —

Responde então no limiar da porta,

Súbito aparecendo, o nobre vulto

De austero missionário, moço e belo,

Mas triste como a estátua macilenta

De um mártir d’outras eras, esquecida

Em vasta catedral da meia idade.