IX
Detém-se os caminheiros e respiram,
Sobre a relva descansam as mulheres,
E as crianças alegres se espreguiçam;
Está finda a romagem: um velho chefe,
De voz autorizada e grave porte,
Chama os da sua idade e se dirigem
Para o modesto e venerando asilo.
Batem, pronunciando o santo nome,
O nome augusto de Jesus, e logo
Abre-se a estreita porta, e como outrora,
Nos belos tempos em que a fé suprema
Prodígios operava, aos olhos ávidos
Dos filhos das florestas, aparece
Formoso santuário, iluminado
De brancos círios da mais fina cera
Que as abelhas silvestres produziram,
Adornado de flores delicadas
E alfaias preciosas, nunca vistas
Das tribos do deserto. O grato fumo
De odorosas resinas sobe em rolos
Dos braseiros de argila, e pouco e pouco
Cerca o sagrado altar, onde pousada
Aimagem do Senhor, lívida e magra,
Coberta de feridas rubro-ardentes
Pende de negra cruz. — Louvado seja
O Redentor do mundo! — exclamam todos,
Homens, mulheres, velhos e crianças,
Unindo as grossas mãos, baixando as frontes.
— Louvado seja o Redentor do mundo!
Por todas as nações, povos e séculos! —
Responde então no limiar da porta,
Súbito aparecendo, o nobre vulto
De austero missionário, moço e belo,
Mas triste como a estátua macilenta
De um mártir d’outras eras, esquecida
Em vasta catedral da meia idade.