Jesus

By Delminda Silveira de Sousa

Da avezita implume ao rude ninho

oculto na espessura do ramal,

quiseste fosse o berço teu igual,

pobre, mais pobre que o do montezinho.

— Palhas e fenos — não macio arminho,

receberam teu corpo divinal;

— tenro botão mimoso de um rosal,

— lírio pendido sobre um chão d’espinhos.

Oh! exemplo, divino de humildade

que, baixando dos Céus, piedoso e amante,

quis nivelar-se à triste humanidade!

Salve, Jesus! Oh, Salvador — Infante

que uniste em perenal fraternidade,

a terra ao Céu em teu Natal radiante!