JOÃO CORTA PAU, MARIA FAZ ANGU
Dona Eufêmia é poetisa
com aplausos de gazetas,
e o Simplício sem pesquisa
vai engo lindo essas petas.
Louvores apareceram
lá no Jornal do Comércio,
tais que nunca os mereceram
nem Tibulo, nem Propércio.
A Nação, Globo e Reforma
com estampido de bomba
apresentam como norma
a versaria de arromba.
E borrando louvaminhas
o Mosquito vê-se gafo,
por não achar palavrinhas
dignas dessa irmã de Safo.
Releve-me Dona Eufêmia,
se esta sentença aqui se acha:
a inteligência que é fêmea
não comporta ideia macha.
Prepare aos filhos a sopa,
e lave e remende e zele,
como boa mãe, a roupa
que lhes cubra a fria pele.
Enquanto brinca o menino,
sempre foi louvado esse uso
do trabalho feminino
da maçaroca do fuso.
Cosa para seu marido
as camisas e ceroulas,
que até qui só têm cosido
desmazeladas crioulas.
Bem tostadinho no forno
carinhosa distribua
o pão de lá inda morno,
superior ao da rua.
Ser excelente doce ira
na senhora muito assenta,
nem faltará quem requeira
um bolinho de mãe Benta.
Daí, para desenfado,
e tendo as mãos lavadinhas,
ou destempere o ruim fado,
ou estropreie as modinhas.
Fora cousa impertinente
se a espantadiça matrona
sob as ordens de um tenente
traz espingarda e patrona.
É o varão quem se destina
para a guerra carniceira;
veleidades de heroína
só produzem vivandeira.
Se porventura me deixas
esta regra geral rota,
podes encher as bochechas,
padeira de Aljubarrota.
Mas não lucraste! Esforçada
contra guerreiros afoitos
perdeste a melhor fornada
de bolachas e biscoitos.
Se quem casa quiser casa,
não case com sabichona;
casando, a casa se arrasa,
e o coitado se apaixona.
Ao leitor não apresento
exemplos, por não cansá-lo;
porém vale por um cento
o da casa do Gonçalo.
A senhora Dona Eufêmia,
que se inculca por menina,
ter pretensões de irmã gêmea
da velha Safo Lesbina!
Veja lá que a tal Sibila
sentindo o calor da frágua,
saltou bem pouco tranquila,
e ficou lá dentro d’água.