JOÃO CORTA PAU, MARIA FAZ ANGU

By José Joaquim Correia de Almeida

Dona Eufêmia é poetisa

com aplausos de gazetas,

e o Simplício sem pesquisa

vai engo lindo essas petas.

Louvores apareceram

lá no Jornal do Comércio,

tais que nunca os mereceram

nem Tibulo, nem Propércio.

A Nação, Globo e Reforma

com estampido de bomba

apresentam como norma

a versaria de arromba.

E borrando louvaminhas

o Mosquito vê-se gafo,

por não achar palavrinhas

dignas dessa irmã de Safo.

Releve-me Dona Eufêmia,

se esta sentença aqui se acha:

a inteligência que é fêmea

não comporta ideia macha.

Prepare aos filhos a sopa,

e lave e remende e zele,

como boa mãe, a roupa

que lhes cubra a fria pele.

Enquanto brinca o menino,

sempre foi louvado esse uso

do trabalho feminino

da maçaroca do fuso.

Cosa para seu marido

as camisas e ceroulas,

que até qui só têm cosido

desmazeladas crioulas.

Bem tostadinho no forno

carinhosa distribua

o pão de lá inda morno,

superior ao da rua.

Ser excelente doce ira

na senhora muito assenta,

nem faltará quem requeira

um bolinho de mãe Benta.

Daí, para desenfado,

e tendo as mãos lavadinhas,

ou destempere o ruim fado,

ou estropreie as modinhas.

Fora cousa impertinente

se a espantadiça matrona

sob as ordens de um tenente

traz espingarda e patrona.

É o varão quem se destina

para a guerra carniceira;

veleidades de heroína

só produzem vivandeira.

Se porventura me deixas

esta regra geral rota,

podes encher as bochechas,

padeira de Aljubarrota.

Mas não lucraste! Esforçada

contra guerreiros afoitos

perdeste a melhor fornada

de bolachas e biscoitos.

Se quem casa quiser casa,

não case com sabichona;

casando, a casa se arrasa,

e o coitado se apaixona.

Ao leitor não apresento

exemplos, por não cansá-lo;

porém vale por um cento

o da casa do Gonçalo.

A senhora Dona Eufêmia,

que se inculca por menina,

ter pretensões de irmã gêmea

da velha Safo Lesbina!

Veja lá que a tal Sibila

sentindo o calor da frágua,

saltou bem pouco tranquila,

e ficou lá dentro d’água.