Joia

By João da Cruz e Sousa

Humilde como Ester, eu não conheço

Ninguém, nem conheci pessoa alguma

Que fosse joia tal e de tal preço,

Mais casta e muito mais do que uma espuma.

Nem quero que haja igual — pois eu nem desço

A mais definições — porque isto, em suma,

A gente deve até, num manto espesso

De emoções encobrir, num véu de bruma.

E faz-me recordar um tipo exato

De estranha irradiação — sim, que eu, de fato

Lhe disse, de uma vez, que pareciam

Seus olhos musicais e nazarenos,

Duas brilhantes gotas dos serenos

Que desse azul dos páramos caíam.