Lágrimas

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Não te vejo, porém te sinto e é quanto basta...

E, ao te sentir, recordo o teu sereno vulto,

Às vezes muito claro e outras vezes oculto

Entre as sombras nas quais a morte nos arrasta.

É que a tua alma, embora imaculada e casta,

Das glórias imortais no supremo tumulto,

Desce à gleba do mundo atroz, do mundo inculto,

Que das asas do amor, tão trágico, se afasta.

Acompanho-a, no entanto, aos campos enflorados,

Aos bosques, aos vergéis, às florestas, aos prados;

E dos morros azuis aos caminhos mais planos.

E compreendo, então, quando os ombros me voltas,

Que em tudo, neste mundo, há lágrimas revoltas,

De tédio e de amargura enchendo os oceanos!