LAMENTA O POETA OS DESVIOS, E RIGORES, QUE MOSTROU FLORALVA DAHI POR DIANTE.
Chorai, tristes olhos meus,
que o chorar não é fraqueza,
quando Amor vos tiraniza,
os sentidos, e as potências.
Senti, pois tendes razão,
uma ausência tão violenta,
que a luz, meus olhos vos tira,
sem alma o corpo vos deixa.
Senti, coração, senti,
pois por vossa culpa mesma
emprendi um impossível
tão fácil em me dar penas.
Chorai, que chorais mui pouco,
se a causa se considera,
porque uma ausência chorais,
e heis de sentir uma quebra.
A ausência é um mal curável,
que com dois dias de pena
dá gosto ao terceiro dia,
vendo-se, o que se deseja.
A quebra é mal sem remédio,
pois se desata, e desfecha
aquela união das almas,
de que a vida se alimenta.
Eu hei de perder Floralva,
não porque ingrata me seja,
mas como vivo amanhã,
sou mofino, hei de perdê-la.