LAR DE LUTO

By Gustavo de Paula Teixeira

Era um ninho e tornou-se um túmulo esta casa

Desde o dia em que a meiga irmã das açucenas,

Fazendo ouvir em torno um leve ruflo de asa,

Emudeceu, cruzando ao peito as mãos pequenas!

Embebido no Azul o olhar, que a angústia abrasa,

A mãe, a pobre mãe, mártir de eternas penas,

Dores, que cristaliza em lágrimas, transvasa...

Cortam-me o coração estas cruciantes cenas!

Desde que a aurora abria o frouxo cortinado

Do Oriente, ela trazia o lar iluminado

Pelo raio de sol do riso astral que tinha!

Dos lírios que plantou teceram-lhe a capela...

Nunca mais há de vir colher jasmins aquela

Que se foi para o Céu num vôo de andorinha!