LEANDRO E HERO

By Laurindo José da Silva Rabelo

Hei de, mártir de amor, morrer te amando.

O facho do Helesponto apaga o dia,

Sem que aos olhos de Hero o sono traga,

Que dentro de sua alma não se apaga

O fogo com que o facho se acendia.

Aflita o seu Leandro ao mar pedia,

Que abrandado por ela, a prece afaga,

E traz-lhe o morto amante numa vaga,

(Talvez vaga de amor, inda que fria).

Ao vê-lo pasma, e clama num transporte —

“Leandro!... és morto?!... Que destino infando

“Te conduz aos meus braços desta sorte?!!

“Morreste!... mas... (e às ondas se arrojando

Assim termina já sorvendo a morte)

“Hei de, mártir de amor, morrer te amando.”