Lenços de saudade

By Juvêncio de Araújo Figueredo

As praias onde vive e dorme e sonha o mar!

Praias de minha terra, elas são uns regaços

Aos quais a gente atira, ansiosamente, os braços,

Com desejos febris de neles descansar...

Ébrio do resplendor que se derrama no ar,

Nesses longes sem fim, nos profundos espaços,

E vem como um amparo a todos os cansaços,

Eu junto às praias, sinto a alma sempre a cantar.

Pelas praias vivi e delas ainda guardo

Muitas recordações de amores em que ardo,

Quando as cobre da tarde o áureo fulgor do manto...

Ah! numa tarde assim, eu te abracei, amada!

À hora do ocaso, à hora suave, à hora calada,

Com lenços de saudade alagados de pranto.