LI

By Cláudio Manuel da Costa

Adeus, ídolo belo, adeus, querido,

Ingrato bem; adeus: em paz te fica;

E essa vitória mísera publica,

Que tens barbaramente conseguido.

Eu parto, eu sigo o norte aborrecido

De meu fado infeliz: agora rica

De despojos, a teu desdém aplica

O rouco acento de um mortal gemido.

E se acaso alguma hora menos dura

Lembrando-te de um triste, consultares

A série vil da sua desventura;

Na imensa confusão de seus pesares

Acharás, que ardeu simples, ardeu pura

A vítima de uma alma em teus altares.